O Mais Aterrorizante dos Vilões: O Instinto Materno
Enfrentar o Rei do Crime exige força de vontade, treino tático e equipamentos bons. Mas isso é fichinha. Enfrentar o olhar analítico da Rio Morales, minha mãe, quando ela percebe um corte novo no meu supercílio ou me vê mancando para pegar o suco na geladeira? Isso sim exige nervos de aço puro.
O jantar de domingo é uma instituição sagrada na casa dos Morales. Ausentar-se não é uma opção; atrasar-se é um crime inafiançável.
O Arsenal de Desculpas Desta Semana
Eu mantenho um log mental das desculpas que já usei, porque o meu pai, como um bom policial, tem uma memória impecável para contradições. Ontem, eu tive que justificar um olho inchado e um hematoma feio no braço esquerdo. A roleta girou, e as opções foram:
"Eu tentei andar de skate de novo e caí."(Descartada instantaneamente. Meu pai cruzou os braços e lembrou friamente que confiscamos meu skate há dois anos depois de eu quebrar a luminária do corredor)."Eu estava correndo no corredor da escola e não vi a porta."(Um clássico da incompetência adolescente, mas ineficaz para o tamanho do hematoma).- "O Ganke se empolgou jogando basquete e eu levei uma bolada muito forte direto no rosto." (A vencedora).
Eles compraram. Pelo menos fingiram comprar, porque minha mãe balançou a cabeça e murmurou algo em espanhol sobre o Ganke ser desastrado.
O peso da mentira na mesa de jantar me destrói. Eu vejo meu pai falando sobre o trabalho na polícia, sobre prender vigilantes e criminosos, sem saber que o vigilante mascarado que ele tanto reclama está mastigando feijão bem na frente dele.
A cada dia fica exponencialmente mais difícil manter a máscara na presença de quem mais importa.

